quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O futuro do doping genético

Super bebés revelam a chave para os genes da força

miostatina

É conhecida por miostatina, mas poderia muito bem ser chamada de kriptonite, porque é o que faz com que cada um de nós se sinta como o Clark Kent. 

Esta proteína indica aos seus músculos quando devem parar de crescer, e, nos últimos anos temos visto dois bebés que nascerem com um gene mutante que os impede de produzir a miostatina suficiente. 

O resultado? Super Bebés. E como qualquer mutação surpreendente, os cientistas estão estudando para ver se e como, todos nós poderíamos ser musculosos, tal como essas criancinhas.

Pode um bebé desbloquear o gene da força?

O primeiro super bebé nasceu na Alemanha em 2004. Embora seu nome nunca tenha sido divulgado, imagens demonstraram que o seu físico jovem continha quase duas vezes tanto músculo como outros bebés. 

Mais á frente, em 2005, no Michigan, O Sr. e Sra. Hoekstra adoptaram um menino chamado Liam. Que começou muito rapidamente a desenvolver músculo a uma velocidade espantosa. Pendurava-se em anéis de ferro numa posição de cruz apenas com cinco meses, fazia flexões com 9 meses, Liam é o segundo super bebé. 


A sua condição, agora conhecida como hipertrofia muscular relacionada com a miostatina, abre-lhe o apetite, torna-o definido e forte. Veja a sua foto abaixo.
 


Liam Oekstra com apenas 3 anos e já a levantar halteres com 2 quilos, tendo apenas 17 quilos de peso.Uma das fotos que mostra o físico do super bebé alemão

Com Liam, os cientistas tinham uma prova de que poderia existir uma mutação genética que faz com que um ser humano desenvolva músculo de forma natural. 

Sem sequer tentar. Liam tem pouca ou quase nenhuma gordura corporal, pode levantar pesos de sete libras com os braços estendidos (ele próprio pesa apenas 30 libras) e tem abdominais visíveis. 

Agora, com quase quatro anos, Liam está a ter aulas de ginástica, mas esta é mais uma válvula de escape para a sua energia do que uma explicação para o seu físico. Sem dúvidas, é a falta de miostatina que o está ajudar a obter um físico musculado.





A proteína que limita a síntese de proteina


Wendy, o schwarzenegger dos cães.

 

O bloqueio da miostatina demonstrou ter efeitos drásticos em animais além dos humanos. Testes em laboratórios com miostatina desenvolveram ratos até às proporções de Schwarzenegger.
Um cão chamado Wendy tem uma condição bizarra que diminuiu a sua produção de miostatina. Uma linhagem de gado conhecida como “Belgian Blue”está predisposta a condições genéticas que reduzem a produção da proteína … e uau, você pode realmente ver isso.

Olhando para as fotos de cada um desses animais, estou impressionado com o absurdo da sua musculatura. É como se alguém tivesse distribuído pesos livres no jardim zoológico.

O que não quer dizer que as aplicações de inibidores da miostatina seriam um absurdo. Médicos, como Louis Kunkel do Hospital Infantil de Boston, andam há muito tempo à procura de uma cura para a distrofia muscular (DM). 

É a mais comum das doenças genéticas e poucos doentes conseguem chegar à idade adulta. Um bloqueador de miostatina poderia ajudar essas crianças a sobreviver e talvez até a viver uma vida normal. Apenas seriam necessárias mudanças relativamente pequenas ao nível da proteína: 20-50%.

O boi belga é um exemplo de um animal com níveis muito baixos de miostatina

No entanto, quando coloca a palavra “miostatina” na pesquisa do Google, você não encontra fóruns na web dedicados à cura da distrofia muscular. 

Desde a investigação inovadora em 1997 por Alexandra McPherron, Se-Jin Lee, e Kambadur Ravi ter provado os efeitos da miostatina, a discussão centrou-se sobre um tema: o bloqueio da miostatina, a fim de se obter um físico musculado, fitness, definido. 

Seja como for que o pronuncie, o caminha para a formulação de  um tratamento que crie músculo – com pouca necessidade de exercício  – é ultrapassada pela necessidade médica da procura da cura para a DF.

Agora que um gene humano foi associada ao bloqueio da miostatina só posso prever que essa procura irá aumentar dramaticamente. Era de esperar, que já é possível comprar “bloqueadores da miostatina”, em forma de suplementos desportivos. 

É óbvio que não posso comentar sobre a veracidade das afirmações feitas por esses produtos, mas você pode querer pensar sobre eles como estando na mesma linha das ofertas de … outros …er… “aumentadores” recebidas on-line.

Mulheres e super crianças em primeiro

A mãe de Liam tem hesitado em permitir que os média entrem na vida do seu jovem filho. Justamente ela teme que a cobertura mediática poderia transformar a existência de Liam num circo. 

Ainda mais refugiado no anonimato, o bebé super alemão não está a dar entrevistas. No entanto, eles também estão envolvidos pelo público, no entanto, foram retiradas amostras genéticas, e sem duvida que continuarão a ser retiradas amostras à medida que for amadurecendo. 

Usando essa informação, não é uma questão de se o gene da miostatina poderia ser modificado noutras, é uma questão de tempo.

Portanto, a procura existe, e a possibilidade está a chegar. O que significaria ter um tratamento genético disponível que irá torná-lo permanentemente capaz de construir músculo com pouco esforço? 

Primeiro, eu espero que isto signifique que os que sofrem de distrofia muscular, SIDA e outras doenças debilitantes irão encontrar alívio para a atrofia muscular. 

Em segundo lugar, e talvez não trivialmente, isso significaria uma nova série de testes anti-doping em competições desportivas. Mas o mais importante, será um sinal de que os seres humanos estarão a caminho de modificar os seus corpos para se integrarem nas suas vidas e não o contrário.

O interesse do National Children’s Hospital, na miostatina não é o de criar crianças super fortes, mas sim ajudar aquelas crianças cujos músculos já sofreram atrofia. 

A Distrofia Muscular (DM) afecta milhares de crianças nos EUA , essas crianças e adultos vão perdendo a massa muscular de forma lenta e raramente sobrevivem até à idade adulta. A terapia genética com a folistatina servir como um método para prolongar a sua vida ou até mesmo para reverter os sintomas das suas condições. 


Da mesma forma, os idosos são susceptíveis a várias doenças que levam a uma perda de força muscular e coordenação. Ao bloquear a miostatina, todos nós poderemos ser capazes de viver com a força da nossa juventude, mesmo com a idade de 80 anos. 
O National Children's Hospital usou macacos para testar os efeitos da inibição da miostatina em primatas. O resultado: Macacos musculosos


As minhas preocupações sobre a miostatina focam-se principalmente na lesão potencial de órgãos, possíveis efeitos desconhecidos perigosos no tecido muscular liso, e na tensão excessiva dos ligamentos / tendões. 

O trabalho do NCH aborda estas preocupações muito bem. Macacos foram observados durante 15 meses após receberem uma terapia genética que promoveu a folistatina (e bloqueou a miostatina) nos seus quadríceps. 

Não foram observados danos nos órgãos internos, o tratamento parece ter afectado apenas o músculo esquelético, os ciclos reprodutivos e as células continuaram funcionar normalmente, e não houve registo de danos nos tendões ou ligamentos (embora esta última questão não tenha sido acompanhado de forma intensiva durante a investigação).

Tal como acontece com todos os animais que vimos com inibição da miostatina, os macacos da NCH obtiveram um aumento sério da força. Os macacos exibiram um maior crescimento muscular durante 12 semanas após o tratamento, período a partir do qual a massa muscular estabilizou. 

A circunferência média do quadriceps dos animais aumentou em 15%. Usando a estimulação eléctrica (você não pode exigir que um macaco levante pesos), os cientistas puderam observar profundos aumentos da força da perna. Um espécime demonstrou um aumento de 78% sobre os resultados do controlo.

O próximo passo para a NCH é a toxicologia e os testes de biodistribuição, conforme descrito pela FDA. Depois disso, serão necessárias novas rodadas de testes antes dos ensaios clínicos em humanos poderem começar. 

Ainda assim, considerando a ausência de efeitos colaterais negativos, e da necessidade profunda da comunidade de pacientes com distrofia muscular, espera-se que os ensaios venham a começar nos próximos anos.

Se forem bem sucedidos, em última análise, a terapia genética de folistatina pode tratar os sintomas de DM ao mesmo tempo que diferentes terapias genéticas podem afectar as causas de alguns tipos de DM. 

Com o tratamento médico, e as terapias para perda de massa muscular na velhice, a derrota da miostatina pode conduzir a uma forma eficaz para que todos nós possamos obter rapidamente um corpo em forma. 

Sem necessidade de treinos, comendo tudo o que quisermos, e ainda assim termos um corpo como Adonis. Esta pesquisa está a conduzir-nos a um passo mais próximo desse objectivo … mas isso ainda parece bom demais para ser verdade. Nós não podemos todos ser o Super-homem, pois não?

A partir do estudo de 1997 sobre o bloqueio da miostatina em ratos. A hipertrofia é evidente.

 

 Neste estudo a hipertrofia foi notória.

A manipulação genética é o verdadeiro cálice sagrado da aventura da modificação corporal. A maior parte destas pesquisas têm estado concentradas na compreensão do propósito de cada sequência do genoma. 

Mas com a miostatina, isso pode ser desnecessário. A maioria das pessoas não irá interessar-se pelo que um milhão de genes diferentes fazem quando modificar apenas um, poderá proporcionar-lhes o corpo atlético ideal.

Essa é uma receita para o desastre. Desejamos que Liam Hoekstra tenha uma vida feliz e saudável. Mas conhecendo os efeitos de outros tipos de crescimento descontrolado, isso poderá provocar problemas de saúde complexos, devemos esperar que haja um preço a pagar pelos seus dons incríveis (lembre Andre the Giant). 

Nós ainda não conhecemos totalmente os efeitos da miostatina na musculatura lisa e cardíaca. O desenvolvimento de órgãos pode ser beneficiado ou ser atrofiado. 

Enquanto os investigadores são rápidos a sublinhar que a força dos ligamentos e tendões não coincide necessariamente com a força muscular. Liam já tem que trabalhar um pouco mais para desenvolver a flexibilidade comum às crianças da sua idade.

 Os genes da miostatina têm que ser compreendidos num contexto mais amplo, antes de se tornarem parte de um léxico geral da engenharia genética.

Vamos esperar que a procura de desenvolvimento muscular sem treino seja suficientemente controlada para esperar por ele. Antes de podermos construir super-homens teremos que os obter à moda antiga: deixando os super bebés crescerem por si.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

O gasto energético após um treino pesado vem sobretudo da gordura

O gasto energético após um treino pesado vem sobretudo da gordura


ginasio

Quanto mais pesado for o seu treino, mais energia o seu corpo gasta após o treino. De acordo com os cientistas da Universidade Nacional de Taiwan, para o [EPOC] o consumo de energia pós exercício, o organismo obtém a energia extra sobretudo da gordura.

Os Tailandeses reuniram 16 estudantes voluntários do sexo masculino, sendo que todos eles treinavam á pelo menos seis meses, para trabalharem os grandes grupos musculares em duas ocasiões, utilizando 8 exercícios básicos. 


Os estudantes fizeram curls de bíceps, remada alta, supino, tríceps na polia alta, prensa de pernas, agachamento, remada inclinado e extensão de pernas. 


Fizeram 3 séries de cada exercício, e descansaram 2 minutos entre séries.


Durante a primeira seção, os estudantes utilizaram um peso de apenas metade da sua repetição máxima. Por isso, treinaram a 50% da sua 1RM. [LO] Os voluntários realizaram 15 repetições com esse peso. Noutra ocasião, treinaram a 75% da sua 1RM e fizeram 10 reps. [HI] A quantidade de energia que os estudantes usaram durante as sessões de treino LO e HI, foi praticamente a mesma.


Os investigadores monitorizaram a energia dispendida pelos estudantes durante as duas horas que se seguiram á sessão de treino. O seu dispêndio energético foi maior: não tanto como noutros estudos EPOC, mas no entanto, foi considerável.

Tabela 1


O EPOC após a seção de treino com pesos pesados, foi maior que após a sessão com pesos leves. Até aqui nada de novo. A novidade, é que, os investigadores puderam verificar que o aumento da quantidade de energia dispendida após o treino era principalmente derivada da gordura. Os investigadores não sabem porque acontece isso.

Não é só a quantidade total de gordura utilizada pelo organismo que aumenta após o treino com pesos pesados. A quantidade relativa também aumenta.



Verifique bem a figura acima. Ai está mais um argumento para treinar com pesos pesados, se a perda de peso for o seu objetivo.

Tudo sobre o excesso de treino (overtraining)

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Whey Protein Concentrado (WPC) - Bom e barato!

Whey Protein Concentrado (WPC) é superior ao hidrolisado (WPH)

proteina whey 

Se é um atleta que procura aumentar a sua performance e ficar mais forte, é melhor deixar de fora a excessivamente cara proteína de soro de leite hidrolisado, e começar a tomar ao bom e velho concentrado de proteína de soro de leite (whey concentrated - WPC). Isto de acordo com um estudo realizado pelo Dr. Chris Lockwood (* o ex-editor-chefe da Muscle & Fitness).
Foram recrutados cinquenta e seis homens já com experiência anterior em treino de musculação, os quais foram aleatoriamente divididos em vários grupos que receberam: hidrolisado de soro de leite de alta qualidade, uma proteína de soro com 80% de concentração, placebo (carbohidrato), ou soro de leite enriquecido com lactoferrina.

Os voluntários foram testados em termos de força máxima no supino e agachamento hack, bem como a resistência muscular, medida através do número máximo de repetições durante uma série a 80% da sua 1RM. [eu vou poupá-lo às informação sobre o grupo placebo (por agora), e o do soro de leite enriquecido com lactoferrina (porque é irrelevante).]
Então o que é que acontece quando se compara um concentrado de proteína de soro de baixo custo com um hidrolisado proteico de soro de leite ultra dispendioso?



Em média os homens, que tomaram o concentrado 80% (WPC80) menos caro, ganharam mais força absoluta e mais resistência muscular em comparação com indivíduos que tomaram o soro hidrolisado de alta qualidade (WPH):
Se pretende desenvolver mais força e mais resistência, evite os dispendiosos hidrolisados ​​e adquira algum concentrado de proteína de soro de leite – A maioria dos concentrados à venda no mercado, contêm à volta de 80% de concentração de proteína (ou seja, a concentração exacta que foi usada no estudo).

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Ingerir carbohidratos à noite não o faz engordar

Ingerir carbohidratos à noite não o faz engordar!


Hidratos de carbono
Uma crença comum no “mundo” do fitness e da perda de gordura é que não se deve ingerir carbohidratos depois das 17-19 horas, porque, através de algum processo mágico, místico, transmutativo, de repente, as pessoas engordam mais nesse período de tempo do que na parte da manhã.

Sim, certo – e eu tenho um amigo que se parece com uma versão musculosa do Brad Pitt durante o dia, mas que se transforma num gordo obeso fã do sofá no preciso minuto em que o relógio bate as 18 horas.

Se a teoria de carbohidratos à noite parece um absurdo, isso é porque o é. No entanto, esse mito está espantosamente difundido na indústria das dietas, tão difundido que me pergunto como alguns profissionais nunca se questionaram a respeito desse paradigma.



Diz a lenda que, após as 18 horas, este aparentemente inocente prato de macarrão, transforma-se num monstro hediondo produtor de gordura que o irá deixar mais gordo do que um lutador de sumo. E à meia-noite, ele transforma-se numa abóbora. 

O mais recente estudo para desmascarar o dogma do “não se deve ingerir hidratos de carbono à noite” vem de Israel. Setenta e oito membros obesos da Força de Polícia israelita participaram num estudo clínico randomizado com a duração de 6 meses.

Ao grupo experimental foi prescrita uma dieta de baixas calorias (20% de proteína, 30-35% de gordura, carbohidratos, 45-50%, 1.300-1.500 kcal) fornecendo carbohidratos principalmente no jantar. Os membros do grupo de controlo consumiram uma dieta semelhante, excepto que a ingestão de carbohidratos foi repartida ao longo do dia.

Então o que aconteceu após seis meses? Será que o grupo que ingeriu a maioria dos seus carbohidratos à noite perderam menos peso, tal como o dogma prevalente poderia prever?

Não – na verdade, eles até perderam um pouco mais de peso (-11,6 versus -9,06 kg) e gordura corporal (-6,98 versus -5,13%) e tiveram maiores reduções na circunferência da cintura (-11,7 versus -9,39 cm). No entanto, só a redução do peso alcançou uma significância estatística [1].

Antes que alguém mais visionário comece a escrever um hiperbólico acerca da “Vantagem Metabólica Noturna!”, Há uma razão muito mais simples para terem ocorrido essas diferenças. De uma forma geral, o grupo experimental sentiu menos fome e muito menos pré-ocupações com a comida da dieta do que o grupo de controle.

Para muitas pessoas, comer grandes quantidades de carbohidratos durante o dia pode levar a flutuações erráticas de açúcar no sangue que podem aumentar a fome e o apetite. Para essas pessoas, seguir o princípio do “evitar-carbs-à-noite” é susceptível de vir a prejudicar, em vez de ajudar, os seus esforços para perder peso.

Amigos, cada caso é um caso e assim devemos ter um olhar sensível a cada indíviduo, suas necessidades e características únicas.